No silêncio da madrugada, quando mal se ouve o vento soprar lá fora... o máximo que ouvimos perto, são as batidas do coração, talvez a respiração...
Num silêncio de madrugada que palavra nenhuma descreveria tal calmaria, tal insônia, tal angústia, tal solidão. Seria intolerável qualquer som que fosse mais alto que o da madrugada, em si. A madrugada, embora solitária, é um momento seu, de aproveitamento, de um contentamento, de auto conhecimento, até de isolamento. É um tempo de inspiração. Na madrugada surgem as mais belas canções de amor, os maiores textos já lidos e, até, os que ainda não o foram.
Madrugada, tempo de reflexão, é quando a gente para pra pensar nos problemas, nas merdas que a gente fez na vida, em tudo. Mas afinal, tanta coisa vem à tona durante a madrugada... É porque é um momento de solidão mesmo... de reflexão, pura inspiração. É aquele momento que você pode ficar sozinha, pode pensar, sem nada nem ninguém que possa te atrapalhar. Aí vem quilômetros e mais quilômetros de pensamentos vivos, quentinhos como se acabassem de sair do forno. Quando se para pra pensar durante a madrugada, se descobre mais sobre a vida e sobre si mesmo. É 100% de auto conhecimento, porque cada pedacinho da sua vida passa na frente dos seus olhos, igualzinho como dizem que acontece quando se está prestes a morrer. A madrugada é uma experiência de morte e de renascimento, por se conhecer de forma tão profunda e exata.
Seguindo a madrugada, nós seguimos nossos passos na areia da praia da solidão, e continuamos a caminhar, mesmo solitários, deixando novas pegadas pra evolução.
- Amanda Gomes.
Fotógrafo: Anísio Neto.